A instalação “Campos Elíseos” trata da relação entre o ser humano e a natureza. Seu título faz referência ao lugar descrito na Mitologia Grega como o Paraíso, onde todos os que lá estão convivem harmonicamente. Neste caso, uma utopia onde todos os seres têm igual poder e voz, independentemente de sua origem, forma ou espécie. A obra trata do comportamento humano em relação à natureza como algo predatório, destruindo suas fontes e impondo a dinâmica conquistatória que lhe é particular. Aqui, os belos campos idealizados pelos gregos se transformam em uma terra árida, onde os únicos seres que conseguiram sobreviver à ação humana foram os artificiais, autônomos, que dependem apenas de luz como fonte de energia. É um alerta sobre o modo como estamos tratando o planeta e sobre o que acontecerá nos próximos anos caso não mudemos nossa postura.

Os seres propostos aqui estão em algum lugar entre os limites da natureza, em um hiato situado entre os reinos animal e vegetal. O título da instalação faz referência a um dos raros animais que fazem esta ponte; um híbrido entre fauna e flora – o Elysia Chrolotica – que tem características tanto animais quanto vegetais. Ele é um ser que consegue fazer fotossíntese e assim se alimentar de luz, ao mesmo tempo que mantém atributos animais, como a emissão de sons.

O projeto teve início a partir dos conceitos de autonomia e vida artificial. Seres autônomos são aqueles que conseguem controlar suas entradas e saídas em trocas dinâmicas e estáveis. Este conceito está dentro de estudos na área da Cibernética feitos a partir da metade do século XX, por autores como Norbert Wiener e Gilbert Simondon. Ao contrário dos autômatos, que são fechados a trocas e segundo estes autores tendem a desaparecer, os seres autônomos dialogam com o exterior e com ele realiza trocas constantes, de modo a se adaptar ao ambiente em que está inserido.